6 de janeiro de 2017

Tropê

O verão estava laranja
E seus olhos já estavam vermelhos
Chegou querendo amor
Chegou querendo amar
Deus fez de mim um malfeitor
Me proibiu de amor te dar
Nesta noite, seu beijo estava salgado
Seu riso não ria
Apagaram a lua
Nesta noite
Realidade e amor eram quase contraditórios
Dava para ver
As moléculas de seu corpo gritando
Foi tão abruptamente triste
Mas ainda me corrói
A lembrança daquele papel encharcado
Gotejando as lagrimas de um amor verdadeiro
Talvez o mais verdadeiro do mundo
Talvez o único amor verdadeiro.

- Renato Franco



27 de dezembro de 2016

O que busco?

O alivio da consciência, as sensações sem remorso, as alegrias de sonhar, a vontade de estar acordado... Coloquei minha vida em muitas mãos – santas, humanas e desumanas –, mas não coloquei nas minhas. Você pode me dizer que ninguém é feliz sem arriscar, mas eu te pergunto: Quem disse que quero ser feliz? 
A felicidade é um sentimento passageiro, raso de sentidos e fraco de sentir. Quero a tranquilidade de alguém que ouve sua canção favorita, deitado em sua cama, num dia chuvoso. 

- Gabriel Marins

17 de dezembro de 2016

Sertão

O galo canta
Nós saboreamos os bocejos
O vapor de café esquenta as paredes de barro,
Sobre a lenha o bolo de aipim perfuma a casa
E eu descubro que uma manhã no sertão
Rende mais poesia que um mês na cidade grande.

- Renato Franco

2 de dezembro de 2016

Não quero mais lembrar

Não quero mais lembrar
Lembrar-me do seu nome
do seu cheiro
da sua pele macia
das suas manias
de como sorria
das suas mãos pequenas
das suas belas coxas
da sua teimosia
de como me amava
de como eu te amo

- Gabriel Marins

21 de novembro de 2016

Brasas

Suspirar, correr, observar
Falar, comer, sentir, viver.
Quanto tempo se tem a para tudo isso?
A vida acaba antes mesmo de
um cigarro se consumir em brasas
E é tudo que resta
Brasas... Cinzas...
E a fumaça que se desfaz em direção aos céus
É como os olhos que julgam a solidão
Das pessoas e das arvores que gotejam solidariedade
Sobre um mundo cruelmente seco
E tudo que resta são brasas... Cinzas...

- Renato Franco

30 de outubro de 2016

Autodesprezo

Meu autodesprezo tem origem externa. Sou esmagado pela incapacidade de não conseguir fazer coisas que nunca quis fazer; não sonhar com meus pesadelos; não viver como morto... Ouço vozes que me dão conselhos do que conquistar, aprende, experimentar... Ouço vozes e elas nunca me ouvem. Posso contar nos dedos todas as vezes que agi sem me importar com as vozes. Não vivo, existo. Sou um boneco e o minhas cordas são os sons que seus lábios emitem. 

- Gabriel Marins

23 de outubro de 2016

Mundo de aparências

Aparentava aquele sorriso, sorrir.
O velho não tira sua máscara embriaga,
Néscio das blasfêmias sobre sua história
As lagrimas disfarçam de canto, a felicidade
E até mesmo a morte não esconde sua vontade de viver
A alma autoritária escarra sua fel covardia
Enquanto observa a melodia que bailava pelo ar,
Pobre vil e plácida melodia que fora rejeitada
Pela amargura dos corações.
Aparências... Aparências...
Tudo aparenta ser
Mas não passa de uma mera copia da realidade
Feliz é aquele que é o que era
antes de ser o que não é.

- Renato Franco